Silent Hill: Downpour

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8.0 Overall Score
Gráficos:: 8/10
Jogabilidade:: 8/10
Diversão:: 9/10

História | Audio | Missões Secundárias

Iluminação | Diversidade de inimigos

Ficha Técnica

GAME NAME: Silent Hill: Downpour

DEVELOPER(S): Vatra Games

PUBLISHER(S): Konami

PLATFORM(S): PS3/XBox360

GENRE(S): Survival Horror

RELEASE DATE(S): 16/03/2012

A Velha Cidade

“Silent Hill” é uma franquia conhecida pela maioria dos gamers apreciadores do gênero ou não. Com início na geração passada após o grande sucesso de “Resident Evil”, a Konami foi no embalo e resolveu investir em um jogo survival horror. Agrande jogada em “Silent Hill” é que ela não se fixa em um personagem ou em uma história, deste modo cada novo episódio pode contar uma história diferente com personagens diferentes sem perder a sua essência. A única coisa em comum em todos os jogos é que o personagem principal carrega consigo um trauma ou uma forte ligação sentimental com alguém. A partir dai, o passado paranormal de “Silent Hill” e seus personagens se encarregam de “libertar” e esclarecer algumas magoas pendentes do personagem.

Os três primeiros jogos da série souberam extrair bem esse conceito e a franquia ganhou fãs por todo o mundo. Após isso, a série teve alguns deslizes e perdeu um pouco a originalidade que era tão admirada pelos jogadores. Os jogos seguintes foram “Silent Hill 4″, “Silent Hill Origins”, “Silent Hill: Homecoming” e “Silent Hill: Shattered Memories”.

A Konami com esse novo jogo “Silent Hill: Downpour” prometeu retornar às origens. De fato a franquia nunca deixou de ser um survival horror como Resident Evil, que agora é um jogo de ação, o que a produtora quis dizer com o retorno às origens era a qualidade dos primeiros jogos, deixando de ser uma sequência simplesmente para vender o nome.

História

Nesto jogo controlamos Murphy Pendleton, um prisioneiro fugitivo que se vê perdido em “Silent Hill” após o ônibus que o transportava capotar. Isso é tudo o que o jogador vai saber no começo do jogo, o motivo de sua prisão, qual a sua história, que passado o atormenta, qual a ligação dele com alguns agentes penitenciários, tudo isso são questões que serão respondidas gradativamente com o desenrolar da história.

Assim como em todos os outros jogos da série, esse não tem ligação nenhuma com os outros. Os acontecimentos do jogo se passam na região sudeste de “Silent Hill”, local que nunca foi explorado nos jogos anteriores. Alguns lugares clássicos como o hospital e a escola não aparecerão, mas novos locais igualmente assustadores serão apresentados, além de uma região imensa a ser explorada.

Os personagens secundários também estarão presentes, e como sempre são misteriosos e parecem sempre conhecer a fundo Murphy. Eles serão responsável por revelar alguns fatos importantes e indicar o caminho a seguir.

Novidades e tal

O objetivo principal de Murphy é escapar de “Silent Hill”, que aparentemente está com todas as saídas bloqueadas, por isso ele caminha sem rumo em busca de uma rota de fuga. Enquanto a história segue o personagem se ve cada vez mais atormento pelo próprio passado e pelos acontecimentos que o levaram até a prisão, que estão diretamente ligado a seu filho. Murphy vai andar por diversos locais como estação de metro, caverna, casas, hotéis, e pela gigante cidade.

Uma inovação em “Downpour” são as missões secundárias, que nunca ocorreram nos jogos anteriores. Li em sites que algumas pessoas não gostaram de “Silent Hill” ter missões secundárias, que tirava um pouco a ideia do jogo. Eu já penso diferente, ao meu ver é um atrativo e enriquece sim o jogo.

“Ah mas por que não dedicar esse tempo de produção e espaço em disco implementando a história principal?” – Essa é a grande dúvida das pessoas que são contra esse tipo de missões, e a resposta é muito simples. Esse elemento “missão secundária” existe para dar ao jogador a liberdade de escolha, para ele ter o livre arbítrio sobre o jogo, fazendo o que bem entender sem ser obrigado, se ele quiser explorar e dedicar seu tempo resolvendo aquele objetivo ele faz, se não ele ignora. Simples assim. Jogos que aprisionam o jogador a seguir um só caminho, a tomar uma só atitude, ao meu ver estão perdendo espaço.

Essas missões em “Downpour” não são cansativas nem repetitivas, até porque não são em grande número, são coisas como encontrar uma criança perdida seguindo trilhas de laços coloridos pela cidade, achando comida para um mendigo para que ele lhe mostre um atalho pela cidade, descobrir como uma mulher foi morta e liberar sua alma, libertar pássaros presos em gaiolas pela cidade, e assim por diante. Além de serem missões que aumentam a vida útil do jogo, fazem o personagem se envolver com as histórias de “Silent Hill”, e vale lembrar que cada missão secundária concluída libera uma conquista/troféu.

Outro detalhe interessante do jogo é o fator chuva, que vai interferir diretamente na quantidade de inimigos. Ou seja, quando começar a chover a aparição de criaturas será mais frequente e a agressividade delas também. Portanto, quando ver os primeiros pingos caindo sobre sua cabeça saia das ruas e corra para um abrigo, pode ser para o metro ou até mesmo para uma casa abandonada.

Vale ressaltar que esse é o maior jogo da franquia, no que diz respeito a duração e área. A cidade é enorme e com vários locais para explorar.

Como não poderia ser diferente o “outro mundo” continua existindo, porém com bem menos frequência, e podemos até dizer de forma desnecessária. A Vatra, produtora do game, se precipitou e não soube utilizar o conceito dessa passagem como nos jogos anteriores. Desta vez a única coisa que se tem que fazer quando se está no “outro mundo” é fugir de uma bola vermelha gigante e empurrar alguns obstáculos para atrasá-la, e só. “Mas como assim?” – é exatamente isso que acabei de explicar, sem propósito algum. Está é a parte sem graça e enjoativa do jogo, por sorte são raras às vezes que acontece.

A produção

Graficamente “Downpour” é satisfatório, mas está aquém do que esperávamos. A desenvolvedora utilizou a Unreal Engine, porém não na sua última versão. O jogo em si é bonito e muito bem detalhado do começo ao fim, com muitos objetos e itens escondidos. A movimentação do personagem também flui de maneira agradável subindo escadas, pulando janelas, andando sobre madeiras (o sistema de combate vou falar mais para frente).

A maior falha gráfica do jogo é sem dúvida em sua iluminação, um jogo com a temática terror/suspense precisa saber trabalhar bem a sombra e a luz, e infelizmente esse não é o caso. É estranho demais olhar para o céu e ver a luz solar passando por entre as nuvens num borrão em camadas, além da própria sombra do personagem. A névoa também tem suas falhas, é muito clara e profunda. Ainda me lembro bem de jogar “Silent Hill 2″ com o c* na mão por não conseguir ver dois metros na frente, em “Downpour” já é possível ver uma quadra inteira sem dificuldade nenhuma.

O monstros também são outro ponto falho do jogo, com pouca diversidade e poucos detalhes. A Vatra parece ter tido uma certa preguiça na criação dos monstros do jogo, o que é uma pena, já que sempre foi um de seus pontos fortes.

O destaque desse novo jogo fica por parte do áudio. O trabalho foi feito de forma fantástica e o novo compositor Daniel Licht soube dar vida ao jogo, a música arrepia a cada minuto e isso combinado com os sons do ambiente deixaram o jogo cada vez mais tenso. Todo som é reproduzido de forma realista, o andar sobre a madeira, os estalos do assoalho, e vento, o murmurio das almas penadas, os itens caindo do chão. Tudo com uma qualidade impecável.

Quanto ao sistema de combate vou ficar neutro, não vou criticar nem elogiar, vou somente explicar como funciona e o porquê de não opinar.

A primeira impressão é de que é totalmente falho e travado o combate corpo a corpo do jogo. Existem basicamente dois botões, um bate e outro defende. Porém não da para andar e defender ao mesmo tempo e a mira não fixa sobre o inimigo, então às vezes você vai se pegar em pose de defesa e o monstro atingindo suas costas. Sim, é bem pobre a luta corporal no jogo. Mas vou usar o seguinte argumento para defende-lo: “Silent Hill” não é e nunca foi um jogo com intuito de focar no combate ou game apenas de exterminar os inimigos, muito pelo contrário, o jogo sempre aconselhou evitar esse confronto, fugindo ou procurando cobertura. A luta não tem que ser uma coisa agradável e gostosa em “Downpour”, muito pelo contrário, você tem que temer. Ao ponto de você ver um inimigo e pensar “puts, to ferrado”. Se você quer jogar com intuito de se divertir espancando os inimigos, sinto muito, este não é um jogo que vai te agradar.

Eu acredito que a produtora desenhou SHD nesse sentido quando criou esse sistema de combate, por isso vou me ausentar e não vou criticar nem elogiar.

Também é possível utilizar armas de fogo no jogo, e ai sim a jogabilidade é muito boa e simples, mirar e atirar. Ainda é possível arremessar objetos como pedras, garrafas, sua arma ou qualquer coisa que você tenha em mãos. Porém só é possível carregar uma arma, e mesmo assim os objetos como paus, canos se desgastam com o tempo e quebram, por sorte existem vários durante todo o caminho.

Resumo

Um detalhe interessante do jogo é que ele é praticamente todo em português-br, com exceção da fala dos personagens. As legendas são fieis as falas e todas as anotações no caderno, jornais, diários, folhetos, e até mesmo muitas placas e posters da cidade são em português. Um atrativo e um ponto positivo para a Konami que deu atenção ao nosso mercado. Esse fator com certeza deixa o jogo mais interessante e agradável de jogar.

Eu terminei o jogo com aproximadamente 11 horas sem correr e sem completar todas as missões secundárias. E como em todos os outros jogos esse também possui vários finais – seis para ser mais exato. O final será decidido com algumas escolhas feitas pelo jogador durante o progresso do jogo, dependendo do “carma” e das suas atitudes.

No geral, “Silent Hill: Downpour” cumpre com o prometido e consegue regressar um pouco às origens, a história é intrigante e prende a atenção do começo ao fim, a jogabilidade é sólida e o som é excelente. Porém algumas falhas como as que citei acima tiram um pouco o mérito do jogo. As falhas na iluminação, falta de capricho nas expressões faciais dos personagens, pouca variedade de inimigos e uma ideia de “outro mundo” um pouco diferente. Um maior empenho nesses detalhes com certeza elevariam a qualidade do jogo mas mesmo assim os fãs da série com certeza ficarão satisfeitos. Numa geração escassa de survival horror, é uma ótima pedida.



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Author: Rafael Caldeira View all posts by
Viciado em games, música e H2O. Jogo vídeo game desde criança, quando ainda mamava no peito de mamãe. Sou metido a besta e tenho cara de bobo, mas no fundo sou um cara legal, pelo menos eu acho.
  • http://www.twitter.com/celows Marcelo Vianna

    Muito bom o Review parabéns. Sou fã da série e o meu já está a caminho. Com certeza por tudo que vi e após ler seu review só me animo mais ainda para jogar. E mais uma vez mérito a konami que traduziu o jogo praticamente todo pra PT-BR. Todas deveriam seguir esse exemplo, abraço!